O caminho da escolha
Com o ano letivo já em andamento, outubro é um mês de balanços e novos começos para alguns dos nossos alunos. Na escola, sentimos a ausência daqueles que terminaram o seu percurso connosco, mas acompanhamos com orgulho os primeiros passos daqueles que ingressaram nos cursos que ambicionavam.
Estes resultados refletem, não só o empenho, dedicação e persistência de cada jovem, mas também nos levam a pensar no caminho que antecede uma candidatura e naquilo que significa, verdadeiramente, fazer uma boa escolha. Entrar no curso que tanto sonham é uma conquista importante, mas escolher um percurso com conhecimento de causa implica muito mais do que alcançar uma determinada classificação. Escolher implica conhecer os próprios interesses, reconhecer as nossas capacidades e pontos fracos, identificar o que nos motiva e compreender as diferentes possibilidades que existem para o futuro. Implica, também, questionar ideias preconcebidas, procurar informação, descobrir e explorar novos caminhos e entender se a nossa ideia corresponde à realidade. Estas reflexões não surgem de forma espontânea e merecem tempo, orientação, abertura e oportunidade para as explorar.
É neste processo que a escola assume um papel fundamental. Mais do que ajudar os alunos a identificar cursos e profissões futuras, importa criar condições para que cada um desenvolva um maior conhecimento sobre si próprio e consiga relacionar esse conhecimento com as oportunidades educativas e profissionais que tem ao seu dispor.
Com esse objetivo, o Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) iniciou, neste mês de outubro, o projeto de orientação vocacional dirigido aos alunos do 9º e do 12º ano.
Ao longo de cinco sessões, a avaliação psicológica, realizada através da aplicação de três instrumentos reconhecidos, articula-se com momentos de reflexão individual e com dinâmicas de grupo dedicadas à exploração de diferentes profissões. Pretende-se que os alunos não se limitem a reunir uma lista de cursos possíveis, mas que comecem a compreender melhor os seus interesses, as suas competências e os critérios que podem orientar uma decisão mais consciente.
É importante salientar que este trabalho não termina nas sessões de orientação vocacional. Ao longo do ano, procuramos proporcionar experiências que aproximem os alunos das diferentes oportunidades de formação e das realidades profissionais. Em novembro, a Feira de Ensino Superior trará à escola mais de 50 instituições de Ensino Superior, de todo o país, criando um espaço de contacto direto com quem conhece os cursos e os percursos académicos. Em janeiro, a iniciativa “Da ESCOLA à Profissão”, convidará os nossos alunos a aprofundar a reflexão sobre os seus interesses e a conhecer diferentes contextos profissionais.
Estas iniciativas complementam-se e procuram responder a uma mesma necessidade, ajudar os alunos a tomar decisões mais informadas, conscientes e fundamentadas. Um processo que ganha mais sentido quando existe uma articulação próxima entre o Serviço de Psicologia e Orientação, os professores e as famílias, para que as escolhas dos jovens sejam acompanhadas sem que se perca de vista aquilo que é essencial: a sua individualidade.
Orientar não é escolher pelos nossos alunos, nem garantir que nunca terão dúvidas ou que o caminho escolhido será definitivo. Orientar é dar-lhes as ferramentas necessárias para questionar, explorar possibilidades, adquirir sentido crítico e assumir, progressivamente, um papel ativo na construção do seu futuro.
Acreditamos que o sucesso não se mede apenas pelas classificações ou pelo nome da instituição em que cada jovem ingressa. Mede-se também pela possibilidade de fazer escolhas informadas, encontrar sentido no percurso escolhido e avançar com motivação, sabendo que existem pessoas disponíveis para ajudar ao longo desse caminho.
Este é o compromisso do Serviço de Psicologia e Orientação: estar presente ao longo do percurso, não para traçar o futuro dos nossos alunos, mas para ajudar a descobrirem como querem construí-lo.

