Para além dos ecrãs, é tempo de SER
Quando somos crianças, perdemos o tempo que se ganha ao brincar.
O ato de brincar leva-nos a explorar mundos para além dos reais, permite-nos o desenvolvimento de capacidades que se tornam cada vez mais urgentes de terem sido desenvolvidas à medida que crescemos. Nenhum adulto pode ser completamente feliz se não tiver dedicado tempo a brincar na rua ou no recreio escolar com os seus amigos, a jogar à bola, ao berlinde ou à apanhada; se não tiver criado laços, partilhado, dado de si e recebido do outro, daquele a quem com orgulho poderá chamar de seu amigo.
Por isso, achamos tão importante que a escola seja um espaço de partilha e de entrega social, onde o telemóvel é completamente dispensável.
E foi isso que aconteceu no ICE.
Primeiro começamos por instituir semanas detox de tecnologia: de 15 em 15 dias, os telemóveis eram proibidos e o recreio transformava-se num espaço de convívio. Os alunos deixaram de estar, durante os intervalos, sentados nos corredores dos pavilhões, agarrados ao telemóvel; e passaram a usar o tempo para se mexerem, brincarem, correrem, conversarem, lerem…
Depois, a interdição generalizou-se a todos os dias da semana, e os ganhos têm sido imensos.
Claro que esta transição não foi fácil e que são várias as vozes de protesto. Mas estamos cientes de que este é o caminho que queremos percorrer e cada passo dado leva-nos à escola de que necessitamos, para além dos ecrãs e ao encontro do olhar e da atenção do outro.

