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Clara, Miguel e Luísa

Tempo de celebrar os irmãos, o ICE e a palavra

O Dia dos Irmãos, a 31 de maio, é a celebração que encerra aquele que é considerado o Mês da Família e, em Portugal, comemora-se desde 2014. Foi neste âmbito que fomos convidados, por sermos irmãos e por sermos alunos do ICE, para assinarmos um Artigo de Opinião.

Comecemos então pelo início. O nosso princípio foi a Inês e o António, os nossos pais, que nos fizeram família e que desde o momento inicial das nossas vidas nos ensinaram o valor primordial que seguimos afincadamente: o Amor. A este, afortunadamente, foram-se juntando muitos outros e, outros tantos continuam a fazer-nos sentido descobrir e integrar. Porque desta coleção de valores, sempre acreditámos que resultam (e resultarão) bons seres humanos, virados não tanto para si, mas para o outro, para o mundo, para todos os que nos rodeiam.

Estamos felizes por poder partilhar com o ICE, a escola que nos acompanha há sete (Clara, 17 anos, aluna do 12ºCSE), seis (Miguel, 16 anos, aluno do 10ºCTB), dois (Luísa, 11 anos, aluna do 6ºA) anos, o caminho que, como irmãos e como alunos do ICE, temos trilhado.

Desde o início desta experiência, a da vida, a da vida na escola e a da vida na escola do ICE que, baseados na autenticidade, cumplicidade, amizade, responsabilidade e respeito pelo outro, nos “entregámos” ao privilégio da aprendizagem na expectativa de crescermos intelectualmente e de, também na escola, encontrarmos um espaço onde nos despertam para o mundo, para a vida. Do ICE temos recebido conhecimento, segurança no meio envolvente, proximidade com a comunidade docente e não docente. Se nos perguntarem se do ICE, gostávamos de receber mais? Sem dúvida. Sentimos que é uma escola com imenso potencial, com muitas infraestruturas, com muitas ideias, com muitas opiniões. Sentimos também que é uma escola que tem de se desafiar a si própria. Escutar-se, escutar os alunos, escutar os incríveis auxiliares de ação educativa e porteiros que têm e que merecem todo o respeito e uma palavra de gratidão e reconhecimento, escutar os professores, escutar os responsáveis da secretaria, escutar os pais, escutar os diretores pedagógicos, escutar a sociedade, escutar as famílias, escutar-se. Escutar o mundo.

Os pais repetem-nos vezes sem conta que os tempos de escola são os melhores tempos da nossa vida. São uma coleção rica de memórias. Nós, os irmãos, os três irmãos, tão diferentes mas curiosamente tão iguais, somos sedentos de memórias e guardamo-las dentro do nosso coração. As memórias de família, as gargalhadas, as partidas, os reencontros, as conquistas, as perdas, as lições, as lágrimas, a memória do melhor que temos: o nosso Amor, o do princípio, o de sempre, o que vai até ao fim. Nós, os irmãos, tão diferentes mas curiosamente tão iguais, somos sedentos de memórias do ICE e queremos guardá-las dentro do nosso coração. Acreditamos que cada um de nós, os que têm irmãos, os que não têm irmãos, cada um de nós, os alunos desta escola, os alunos do ICE, guardam memórias da sua vida aqui, valorizam cada palavra que cada um pôde expressar e que cada um sente que foi ouvida. Porque, na verdade, para nós, os três irmãos, os irmãos que estudam no ICE, o valor principal que nesta vida que aqui (ICE) vivemos conta é o da palavra. A que é dita, a que é sentida, a que é ouvida, a que é respeitada. Por todos e por cada um.

Clara, Miguel e Luísa

“Há palavras que fazem bater mais depressa o coração
– todas as palavras –
umas mais do que outras,
qualquer mais do que todas.
Conforme os lugares e as posições das palavras.
Segundo o lado de onde se ouvem
do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol.
Cada palavra é um pedaço do universo.
Um pedaço que faz falta ao universo.
Todas as palavras juntas formam o Universo.
As palavras querem estar nos seus lugares!”

José de Almada Negreiros

 

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