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Cristina Sousa Braga

“Poesia como arte maior”


 

Cristina Sousa Braga

Professora de Português 

 

Todos nós precisamos do olhar criativo, subjetivo e atento do poeta, para melhor vermos a nossa realidade e nos conhecermos. Os sentidos necessitam de estar despertos para observar a beleza do mundo exterior e do mundo interior de cada “eu”.

 

 

 

Todos nós precisamos do olhar criativo, subjetivo e atento do poeta, para melhor vermos a nossa realidade e nos conhecermos. Os sentidos necessitam de estar despertos para observar a beleza do mundo exterior e do mundo interior de cada “eu”. E, como tal, a poesia tem essa missão, desperta a curiosidade, questiona, enriquece-nos, ensina o poder das “palavras” e a fragilidade das mesmas. Tal como Eugénio de Andrade escreveu, “São como um cristal / as palavras / Algumas um punhal, / um incêndio. / Outras, / orvalho apenas”.

Versos que tanto sentido fazem no nosso presente, não estivéssemos nós, neste momento, a viver o horror de uma guerra com todas as consequências que dela advirão. A primazia das relações humanas deveria ser a transparência do diálogo, um diálogo cristalino, aberto à democracia e, não, repleto de farpas, punhais… que nos levam a um estado de sofrimento incomensurável. Diariamente, vemos as notícias e esperamos que o “orvalho” recaia sobre as conversas entre políticos e que as decisões emanem esperança no futuro próximo.

Sim, a poesia também possui e sempre possuiu uma voz ativa no contexto político da nossa sociedade.  Recordemos Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, poetas, entre tantos outros, em que alguns poemas tiveram o papel de poesia de intervenção, e que de um modo ou outro ajudaram a “incendiar consciências” em períodos politicamente críticos.

No entanto, a leitura de um texto poético encaminha-nos sempre para um percurso de exploração de beleza, musicalidade, cromatismo, criatividade, erotismo, sensualidade. E tudo porque permite a subjetividade da leitura e a reinterpretação do texto, não fosse “o poeta um fingidor” que “sente com a imaginação”, transportando-nos para temas Universais.

Basta sentirmos o sentido da palavra e “saboreá-la”, tomar-lhe o gosto, descobri-la!

A poesia não se pode deixar cair no esquecimento nem subestimar como uma arte menor!  

  

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